BRASIL/ECONOMIA| Inflação tende a ceder em 2021 e BC deve manter juros baixos, dizem analistas

Inflação tende a ceder em 2021 e BC deve manter juros baixos, dizem analistas


09 de dezembro de 2020 











Supermercado os preço dos alimentos deve parar de subir em 2021

Apesar de uma inflação salgada divulgada apenas um dia antes, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (9) que decidiu manter a taxa Selic, piso dos juros no país, nos atuais 2% ao ano. Este é o menor nível já registrado.

Em seu comunicado, o Copom reafirmou que as pressões de preços atuais são passageiras, o que já vem dizendo há alguns meses, e reforçou um cenário em que os juros continuam nesta mínima histórica ainda por um bom tempo ao longo de 2021, pelo menos. 

A avaliação do colegiado é que, apesar das altas de preço agora, tidas como temporárias, o país ainda segue com uma economia deprimida que necessita do superestímulo que são juros tão baixos. 

"A conjuntura econômica continua a prescrever estímulo extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade", escreveram os membros do Copom em seu comunicado.



















O fato é que a inflação mudou muito nesse meio tempo. Se até o meio do ano ela estava girando próximo dos 2% e o medo era que ficasse baixa demais, uma disparada dos preços, principalmente dos alimentos, a fez subir rápido nos meses seguintes. 

No mês passado, o IPCA, indicador oficial de preços, já acumulava alta de 4,3% em 12 meses, conforme divulgou na terça-feira (8) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já é mais, inclusive, do que o centro da meta que idealmente deve ser acertado pelo governo, de 4%. 

BC usa juros para controlar inflação

Os juros são a principal ferramenta usada pela política econômica para domar as altas de preços. Aumentos de juros encarecem o crédito e financiamentos a investimentos produtivos, como em infraestrutura e novas fábricas, o que esfria o consumo e tende a fazer a inflação baixar. É o caminho usado quando a inflação foge do controle.

Por outro lado, se a atividade econômica está muito fraca, a inflação também tende a fixar baixa demais, e o Banco Central pode reduzir os juros para estimular a atividade. 

Inflação deve ser menor em 2021

E não é só o Banco Central que aposta no caráter temporário das disparadas recentes de preços a que todos estão assistindo nas prateleiras de supermercados e em outros produtos. 

Economistas e analistas também concordam que a inflação deve voltar a baixar em breve e ser mais tranquila em 2021 –e isso não necessariamente vai acontecer por uma boa causa.

"Retirados os estímulos à economia [como o auxílio emergencial], a renda deve cair no ano que vem", disse o superintendente de pesquisas macroeconômicas do Santander Brasil, Maurício Oreng. 

De acordo com ele, o repique de inflação a que assistimos nesta segunda metade de 2020 foi causado em parte por dólar alto e alta demanda de fora, que puxou as exportações de produtos básicos, como os alimentos, e em parte pela mudança nos hábitos de consumo dos brasileiros durante a pandemia. 

Com a renda extra do auxílio e o maior tempo gasto em casa, houve uma corrida aos supermercados, que também levou a mais aumento de preços. 

"São fatores temporários. Em 2021, a economia vai ter uma ociosidade maior, o mercado de trabalho seguirá bem fraco e isso deve ajudar os preços a ceder", disse Oreng. 

Segundo o economista, já em janeiro os consumidores podem esperar que os preços dos alimentos interrompam as altas fortes e voltem a se acalmar. A projeção do Santander é que a inflação caia da casa dos 4,2%, em que está hoje, para 3%, ao fim do ano que vem. 

É também a visão da economista da LCA Consultores Thais Zara. "Houve uma combinação de fatores externos e internos que fez com que a inflação da alimentação acabasse pressionada, mas eles são passageiros", disse. "Não significa que os preços vão cair, mas não devem mais ter muitos aumentos."

A projeção da LCA é que, depois de encerrar este ano em alta de 18%, a inflação dos alimentos nos supermercados fique em 2% no ano que vem. 

É essa janela de enfraquecimento que abre o caminho para que os juros continuem baixos ainda por um tempo em 2021, enquanto continua a incerteza de uma recuperação robusta da economia após o choque deste ano. 

"Os juros devem continuar baixos [em 2%] ainda por um tempo. O que talvez possa acontecer é que o BC decida subi-los um pouco antes", disse Zara.







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